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Nascimento Isabela ~ parto domiciliar com transferência

fevereiro 8, 2021 Vídeo de parto

“Sim, nós fomos abençoados. Em todas as etapas da espera da nossa pequena! Engravidamos mais rápido que imaginávamos e a gestação foi incrível! Sendo assim planejamos e sonhamos com um nascimento que fosse acima de tudo respeitoso com mamãe, papai e bebê. Um nascimento em que fôssemos protagonistas e que a conexão de vida se estabelecesse a partir da li para Nós três. Um parto aonde eu pudesse me conectar com a força ancestral, com a natureza e que fosse de fato uma abertura para uma nova vida, um renascimento! Eu queria passar por tudo que um parto tem direito e parir minha pequena. Eu mesma! E Assim foi. Contamos com a equipe incrível do AmaNascer, Mayra (enfermeira obstetriz e parteira/midwife) e Marcela (doula) para um parto domiciliar planejado. Sim, nossa escolha foi passar por isso em casa. Com assistência necessária e todo conforto que é estar em casa. Essa escolha foi leve! Eu e Fe sempre tivemos essa clareza e que dessa maneira iríamos vivenciar isso 100% e no nosso tempo. O nascimento do nosso afilhado Otto foi um presente incrível que seus papais nos deram. Nos abriram um horizonte lindo! Dia 15.05 por volta das 00:30 nossa viagem começou. Acordei e fui ao banheiro. Estava sentindo essas contrações a alguns dias e já estava perdendo o tampão mucoso desde a madrugada anterior. Mas dessa vez surgiu a sensação de ser diferente. Chamei o Fe e ambos ficamos nos questionando se já estava em trabalho de parto ou não. Ficamos durante 1 hora monitorando. A dor não era forte. Mas a cada contração eu me conectava com essa sensação e ficava cada vez mais fora do ar. Elas já estavam muito ritmadas. De 3 em 3 minutos e durando cerca de 40 segundos! Fe ligou pra Mayra. Falei com ela mas durante as contrações so consegui me expressar por sons. Ela viu que já estava acontecendo e começou a se preparar para vir pra casa. Começou a ficar intenso. Curti o chuveiro quente que me aliviou muito. Na bola de pilates, no tatame, encontrando posições para me entregar. O enjoo tomou conta, as contrações eram fortes, Isabela queria nascer. Eu nem acreditava. Enfim chegou o momento! Mayra chegou e avaliou a Isabela, ela estava ótima, batimento cardíaco perfeito. Estava ainda com 1 pra 2 de dilatação. O desafio naquele momento era conseguir me alimentar, passar aquele enjoo. A dor não estava me incomodando naquele momento. Logo a Marcela chegou. Cada pessoa que chegava trazia uma energia incrível para somar com a minha, do meu parceiro e da minha sogra. Marcela me deu um suporte incrível para fluir naquele momento. Massagem, homeopatia e até acupuntura. Fomos buscando de forma natural formas de me auxiliar e também fazer com que a Bela no tempo dela, encaixasse na minha pelve e encontrasse o caminho. Fui para a banheira, logo começou a amanhecer e chegaram as meninas incríveis do além do olhar foto e vídeo. Nas próximas horas o desafio era fazer a Bela descer, fazer o giro natural que os bebês fazem pra nascer e encaixar. Muitas posições, cócoras, rebolados, sobe e desce na escada. Vem Isabela. Vem meu amor. Estávamos conectadas! Dava pra ver seu movimento na barriga. Ela estava descendo. Média de 5 cm de dilatação. Ja passava do meio dia. Precisávamos encaixar ela melhor. Então mais posições, massagens e um desafio: Ficar de “ponta cabeça” para ela desencaixar levemente e voltar ao encaixe necessário. Eu odeio ficar com a cabeça pra baixo. Mas topei na hora. Foi um dos momentos mais difíceis. 3 contrações nessa posição. Na primeira quis desistir. Fe segurou meus braços. Mayra me conduzindo. Marcela massageando è guiando a Isabela com o rebozo (tecido e técnica que auxiliam nesse posicionamento – surgiu no México-pela incrível Naoli). Vivi me apoiando e Su além de filmar falando palavras de incentivo. Quando sai da posição e sentei no banco de cócoras a bolsa estourou! Alegria tomou conta. Isabela encaixou. E a frase que me motivou: ela é cabeluda! Ahhh ela iria nascer!Agora no caminho certo só precisávamos que ela descesse e que o caminho se abrisse. Fui pro chuveiro. Marcela foi fundamental. Me fez aterrar e conseguir suportar as contrações que vieram muito fortes! Ali eu saí de mim ou melhor entrei no meu ser, no mais profundo, na menina que sou e na mãe que estava prestes a ser. Aquele renascimento. Foi ali. A transformação. O contato com a natureza e o selvagem. Nem todo mundo conseguiria me ver naquele estado. Nada de sofrimento. Não vejo assim. Não senti assim. Apenas conexão e entrega! E foi esse o segundo momento mais difícil. Depois de horas ali quis sair. Queria deitar e relaxar mas as contrações não deixavam. Pedi que me avaliassem. Ainda não estava nem com 7 cm de dilatação. Ali bateu um desânimo! Me entreguei tanto e estava tão lento e difícil. Hoje vejo que não foi lento.  Mas o tempo que eu e principalmente a Isabela precisava! Estava anoitecendo. Continuei muito amparada. Vivi fez theta healing comigo. Foi fundamental para me entregar. Me reconectar e acreditar! Fui pra banheira com o Fe. Precisava descansar. Mas as contrações continuavam intensas e sem intervalos. Ficamos ali. Eu e ele. Fe foi fundamental. O tempo todo comigo. Foi meu guia e porta voz! Ele percebeu o que eu sentia e não conseguia expressar por palavras: precisava descansar e em casa já não tínhamos mais o que precisávamos. Era hora do segundo plano. Foi tão difícil pra mim! Nunca imaginei ser transferida pro hospital por estar cansada. Mas estava realmente muito intenso. Completando 23 horas de trabalho de parto com contrações de 3 em 3 minutos, sem descanso. Claro, se precisasse estávamos preparados e seria feito sem correrias. Mas não imaginava isso por cansaço. Tive que me entregar ainda mais e entender que era o que precisávamos. O apoio de todos foi fundamental. Ali eu entendi o quanto fui guerreira e que não estava desistindo! Decidido, vamos pro ilha! Estava com 8 de dilatação. Estado de saúde perfeito, Isabela super bem! Era apenas o cansaço tomando conta de mim! Quase uma hora até sair de casa. A transferência me dava medo, afinal não queria ir pro hospital, em casa estava ótimo, mas encarei e percebi que era o melhor. Chegamos em menos de meia hora. Era por volta de 22:40.  Ficamos quase uma hora na recepção Entre avaliação e liberação pro quarto. Foi intenso, Marcela me auxiliou no caminho de casa e nesse período de espera. Muita massagem pra aliviar a dor. Eu só queria descansar e estava pedindo muito por analgesia. A dra Juliana nos atendeu. Foi atenciosa e disse que cabia uma analgesia pra descansar e conseguirmos prosseguir. Fiquei aliviada em ver que o plantão era humanizado e estava do nosso lado nesse desejo. E o medo da analgesia? Existiu mais que tudo! Logo que tomei as duas picadas na coluna senti a barriga e pernas adormecerem. Ainda sentia as contrações e a Bela mexendo. Mas a dor foi sumindo. O sorriso tomou conta novamente. Cheguei no quarto. Alívio ao ver Fe me esperando na porta.  Comi e descansei. Marcela trocou com a Mayra que ficou comigo as mais de duas horas que dormi monitorando nossa Bela que continuava  ótima. Logo hora de acordar. Efeito da Analgesia estava passando. E com isso sentindo mais as contrações e com elas vontade de fazer força. A dor não era a mesma. Fui avaliada e continuava com oito centímetros. Estava saindo da curva que eles consideram normal para andamento do parto. Foi sugerido ocitocina na veia pra auxiliar nas contrações. Fiquei com medo. Mas com o suporte da Mayra percebemos ser o melhor. Assim foi. Ficamos um tempo no quarto. Contrações vinham. Fazia força. Mayra e Juliana me orientando e fazendo muita massagem no colo do útero para que auxiliasse a decida da Bela. Chegamos aos 9 de dilatação. Pronto, vamos para o centro cirúrgico! Mais um desafio! Já havia entrado lá muitas vezes. Como fotógrafa em cesarianas. Um dos meus maiores medos. Eu sabia que só passaria por isso se realmente precisasse. Mas tinha medo de violências obstétricas e de me sentir sem controle da situação. Eu queria parir ela. Fomos até lá. No caminho contrações. Para. Respira. Massagem. Vamos lá! Deveria ser umas três da manhã. Mais um grande trabalho. O tempo voou, foi tão intenso! Entre muitas contrações, massagem, gemidos, uma quase desistência (Fe sentindo meu olhar chegou a pedir cesariana, ainda bem que Mayra e Vivi seguraram a onda conosco nos incentivando, estava muito perto!) sonda para esvaziar a bexiga e banco de cócoras, nos conseguimos! Ela nasceu! As 6:18 da manhã. gordinha e maior do que eu pensava. Muito mais Linda que Eu poderia imaginar. Cabeluda como haviam me dito. Com uma boca linda! Saudável e mostrando a força que tem! Realização em trazer ela pra esse mundo e passar por tudo isso juntos. Foram 30 horas. 30 intensas e lindas horas. E sabe, Eu já tenho saudades. Porque foi respeitado nosso tempo e sei que não passarei por nada como isso nessa vida. È uma passagem incrível. Sofrimento não. Sofrido è quem não pode escolher como e onde parir. Sofrido è quem acaba com intervenções desnecessárias e sem consciência do que está acontecendo. Com esse relato espero inspirar! Trazer no nascimento um possível renascimento pra quem por nós passar!!” ~ Bruna Bruna – mãe Fernando – pai Equipe Marcela Flueti – parteira Mayra Calvette – enfermeira obstetra Vívian Scaggiante – fotógrafa e vídeo maker Suzanne Shub – vídeo maker e edição de vídeo Ana Maria – mãe do Fernando 16 maio 2018 – Florianópolis, SC

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